Consumidos há mais 5 décadas nos tratamentos tópicos de doenças da pele, os corticosteróides, ou corticóides, podem ser uma arma poderosa e, ao mesmo tempo, perigosa. Os efeitos colaterais do uso de corticóides começaram a ser percebidos clinicamente nos anos 60 e no começo dos anos 70, quando havia menos preocupação com o uso tópico da substância e a prescrição era mais usual.
Os iniciais resultados foram excitantes: muitas lesões desapareciam com o tratamento. Porém, os altos índices de efeito rebote despertaram os cientistas para os possíveis efeitos colaterais das aplicações.
Os corticóides ou, mais precisamente, os glicocorticóides são hormônios produzidos pela glândula supra-renal e são responsáveis por mecanismos de estabilização do organismo. Apresentam um resultado inibidor sobre as células de defesa, gerando uma reação antiinflamatória. São imunossupressores e antimitóticos. Por isso, são usados em quadros em que há, por exemplo, a presença de lesões inflamatórias, dores e hemorragias.
Quando sobrepostos na pele reduzem o crescimento das células da derme. Agem sobre o tamanho e o número de células no local, reduzindo o processo inflamatório.
Na psoríase, doença em que ocorre uma superprodução de células da pele, o uso de corticóides tópicos foi, no passado, fortemente indicado. O que se observa até hoje é o quadro clássico do rebote: as lesões desaparecem, mas muitos pacientes apresentam posteriormente uma recidiva piorada em relação ao episódio anterior.
Outro grave efeito dos corticóides aparece logo nos primeiros dias e tende a piorar com a continuidade da aplicação: é o afinamento da derme, que ocorre não só nos níveis superiores como também nos mais profundos. A epiderme se torna mais rosada e pode haver telangiectasia, ou seja, dilatação permanente das paredes de pequenos vasos sangüíneos, tornando-os mais visíveis.
Comprovadamente, os corticóides diminuem a atividade dos fibroblastos, células que constituem a base do tecido conjuntivo e que, por diferenciação celular, dão origem a fibras, colágenos e tendões.
Hein e Krieg foram os primeiros a relatar a ação dos corticóides na diminuição da síntese de proteína, o que, na pele, resulta em perda de suporte dérmico. Isso pode levar ao aparecimento de estrias e à atrofia muscular.
Com o afinamento das camadas superiores da derme, a elastina acaba se fragmentando e as fibras mais profundas juntam-se em uma rede de células mais compacta e densa, dando forma à estria, que é permanente.
Os estudos mostram que durante o uso de corticóides tópicos há degradação do colágeno, outra fibra importante do tecido conjuntivo. O colágeno representa mais de 30% da proteína total do organismo e é responsável por diversas funções, como a de manter a firmeza dos tecidos. Quando os níveis de colágeno estão baixos, a pele fica mais suscetível à perda de elasticidade e ao surgimento de rugas.
A associação dos corticóides aos receptores andrógenos favorece o aparecimento ou agravamento da acne, uma outra ocorrência freqüente.
Pesquisa-se ainda se alguns dos sintomas mais imediatos na aparência da derme, como o ressecamento, são causados pela influência dos corticóides nos mecanismos de equilíbrio do percentual de água no organismo.
O prolongamento do tratamento pode causar dose-dependência e resistência ao medicamento. Podem ainda ocorrer efeitos decorrentes da absorção sistêmica. Nesses casos, o corticóide pode causar osteoporose, catarata, ganho de peso, intolerância à glicose e hipertensão arterial. Pode ainda prejudicar a absorção de cálcio pelos intestinos e reabsorção pelos rins.
Todos os dermatologistas estão cientes de que o uso de corticóides tópicos pode ser acompanhado de reações colaterais indesejadas. Por isso, antes da prescrição, é preciso analisar conscientemente os benefícios e os possíveis efeitos colaterais, comparando-os com as novas opções de tratamento, como os medicamentos com base na acitretina e no calcipotriol.
Fonte: www.semestrias.com.br

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